sexta-feira

Porque será que só damos valor às coisas quando alguma desgraça acontece? Porque será que só pensamos em membros que nos são essenciais quando alguma coisa de grave os corta e magoa severamente? Por acaso alguém dá verdadeiramente valor às mãos, e mais especificamente aos dedos, no dia-a-dia? Alguém tem os cuidados essenciais de saber exactamente o que fazer em caso de acidente? (...)
De que nos serve uma mão sem dedos? Porque se fala com tanto orgulho na mão e se desprezam os dedos? O que faz uma mão sem ajuda dos dedos? Sem dedos, somos completamente impotentes. Sem dedos, não conseguimos agarrar numa chávena de chá ou café (sim, resolve-se com uma palhinha), não conseguimos agarrar no chuveiro, vestir é para esquecer (o que não seria de todo descabido para designers como o Gualtier) e escrever no computador, só se for à cabeçada (e isso preferimos guardar para os cd's de Pan Pipes na sala do dentista).
Sem dedos é, portanto, impensável viver intensamente, mas nem assim lhes damos a devida atenção. Pior, valorizamos as mãos como se fossem elas portadoras do nosso bem estar.(...)
São as mãos que são referidas nos dicionários: a mão do martelo, que por outras palavras, é a pega, não o seria se os dedos não existissem; o mão, que é quem deve jogar primeiro, não o conseguia fazer se não pegasse nas cartas com os dedos; o pôr as mãos à obra, não é mais que mexer os dedos! Sem dedos não há obras nenhumas feitas!

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